Thursday, October 27, 2011

"vontade de algo que não sei o que..."

Saudades da época em que eu tinha tempo pra pensar.
Tempo pra sorrir.
Parece que ultimamente eu sou de pedra, meu rosto fixo e meu olhar parado.
Presa nessa apatia muda o dia intero com poucas, mas obsessivas, idéias na minha cabeça.
Nem sequer podem ser chamadas de idéias, mas sim estados de vida.
Trabalho.
Aula.
Amor.
Acho que estou meio mal de só ter uma coisa boa na minha vida.
Acho que estou com saudades de mim.
Dos meus pensamentos, das minhas manias, das minhas bobeiras e das minhas vontades.

Queria ler mais, ir mais ao cinema e sair pensativa, escrever mais, desenhar...
Mas como tudo nesse mundo, meu tempo é em função ao dinheiro.
Sei que é temporário mas já estou cheia. Cheia e vazia ao mesmo tempo, é difícil explicar.

Por isso tenho andado tão explosiva ultimamente - para todos os lados e com todos os tipos de explosões.

Não é raiva, mas sim estresse.
Não é tristeza, mas sim vontade de mudar.
Não é apatia, mas sim desgosto.
Não é ciúmes, mas sim saudades.

Sei lá. Vontade de abandonar tudo e ficar sozinha no sol, deitada na areia olhando pro céu.

E pensar que antes eu reclamava do meu tempo de sobra...

*

Tuesday, October 4, 2011

eight.

fico pensando... eu disse hoje que era bom ter festinhas, eventos, viagens e bobeiras pela frente pra animar meus dias, mas na verdade VOCÊ é minha festa, meu maior evento, a viagem da minha vida e minha bobinha mais linda do mundo. 

te amo eterno, feliz!!
mip.

*

Thursday, September 1, 2011

com amor, joaninha.

Você me dá vontade de coisas românticas.
Um dia confessei que se pudesse eu escreveria nossos nomes no céu com um daqueles aviões de fumaça. Você riu e carinhosamente me chamou de brega e eu achei que fosse explodir de amor.
Hoje tive a seguinte idéia: quando formos velhas, vamos ter dois carros. O meu com a placa MYL e o seu com a placa ISA. Você vai rir ao ler isso e me chamar de bobinha, mas eu gosto. Sua Saveiro Cross preta fosca com placa ISA. E meu minicooper lindo com miniadesivo de joaninha e placa MYL.
Te amo.
*

Monday, August 22, 2011

sorrisos.

A linha tênue entre ser e fazer.

Hoje assisti a uma palestra da Marina Silva que mudou minha percepção dos políticos e das palestras da FAAP. Mas não vou falar sobre a palestra em si, mas sim sobre algo que ela disse que me deixou pensativa o resto do dia. 

Cheguei na FAAP sozinha e fui embora do mesmo jeito. Faz um tempo que tenho colocado na cabeça que lá não é meu lugar; que sou diferente de todo mundo e que não há possibilidades de conhecer pessoas legais, além das que eu já conheci. A velha prepotência capricorniana, lógico, mas fazer o que. 

O auditório estava cheio e tive que sentar no chão. Eu estava levemente desanimada por assuntos mal-resolvidos dentro de mim, então demorei pra prestar atenção. Algumas pessoas me encararam e eu já fechei a cara, mas lembrei do meu gorrinho de pompom. Oh well.

E então a Marina disse aquilo. Aquilo que de repente encaixou tudo aquilo que estava solto e vinha chacoalhando dentro de mim. Aquilo que deu aquele estalo e me botou nos eixos novamente. Mesmo que "nos eixos" não signifique imediatamente "bem", mas sim caminhando pra isso.

Marina basicamente ressaltou a importância do autoconhecimento e da integração com os outros e com si mesmo. A diferenciação entre o ser e o fazer. “Chegou a hora de acreditar que vale a pena, juntos, criarmos um grande movimento para que o Brasil vá além e coloque em prática tudo aquilo que a sociedade aprendeu nas últimas décadas. (...) Se antes dissemos 'chegou a hora de acreditar', afirmo hoje: chegou a hora de ser e fazer, de nos movimentarmos em conexão com as redes e pessoas que expressam a chegada do futuro e o constroem na prática, no dia-a-dia." Ela disse que muitas vezes chegamos a fazer tudo que temos, em teoria, que cumprir para realizar algo. Mas falta o ser. Ela falou sobre a volta à infância, quando nos perguntavam "o que você quer ser quando crescer", em contraposição aos dias hoje, quando nos perguntam "o que você faz?".

Eu não quero ser alguém que simplesmente faz. A própria frase entra em contradição consigo mesma: ser alguém que faz. Pelo contrário, eu quero simplesmente ser. Voltar a pensar nos valores antes das realizações. Voltar a pensar no que me faz sorrir antes de pensar no que terei em mãos. Voltar a não pensar; voltar a sentir.

Não quero nada material, apesar de saber que estes são simplesmente meios pra fins. O que eu quero é caminhar sobre a linha tênue entre o ser e o fazer, pra conseguir alcançar essa realização da qual a Marina falou hoje. Sim, ela falava de outras coisas. Mas acredito que o que admiro nela é exatamente isso: saber que ela poderia estar falando sobre política e sustentabilidade, mas que seus valores vêm de baixo - que se aplicam aos mesmos "desencaixes" internos que eu tenho de vez em quando. 

Então saí do auditório diferente do que estava quando entrei. Sozinha, sim. Mas pensativa, ao invés de anestesiada. Antes eu não queria pensar. Depois, estava pensando. Tinha voltado a pensar. Estava com saudades de mim mesma, acho, de abrir mão da minha prepotência e perceber o mundo de maneira diferente. Não de maneira desgostosa, como havia vindo o vendo. Não de maneira cética e pessimista. Magoada, triste, desesperançosa.

Fiquei feliz de estar lá. De me sentir diferente dos outros, mas de estar exatamente onde eu deveria estar. Tudo depois disso fez mais sentido, apesar de eu continuar esquisita. Percebi mais sorrisos, mais amor, mais gentilezas até dentro do banheiro da FAAP - onde tudo que eu costumava ver era antipatia e vaidade. 

Sei lá. Acho que, apesar do tempo frio e cinza, voltei a ver mais cores no mundo. 

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Sunday, July 10, 2011

minhocas.

"Aí teve aquela cena também, De quando eu fui te dar tchau.
(…) E você olhou e me perguntou: "Não to esquecendo nada?" E eu quis gritar: "Tá, tá esquecendo de mim."
E você depois perguntou: "Não tem nada meu aí?" E eu quis gritar: "Tem, tem eu. Eu sempre fui sua."


Ultimamente, quando brigo, choro, ou fico magoada, tenho pensado muito nessa frase da Tati. Meu pai sempre diz que relacionamentos funcionam da seguinte maneira: cresce, cresce, cresce, até o namoro virar oficial. E depois vira uma reta, "tipo naqueles painéis de batimentos cardíacos, quando uma pessoa morre", segundo ele. E depois começa o declínio.

Pra mim definitivamente não é o que acontece, pela primeira vez na vida. Antes eu sempre concordei com meu pai, e apesar de bater o pé e negar até a morte, eu sempre senti bem no fundo que era verdade. Mas agora não. Coisas de primeiro (e último, pelo menos pra mim) amor.

Por isso tenho pensado na Tati. Porque talvez eu possa estar tão apegada a esse "quentinho" dentro de mim, que eu não vejo o outro lado. Talvez, como a Tati diz, o motivo pela minha irritabilidade ultimamente é exatamente esse: medo de estar sendo esquecida.

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Saturday, July 9, 2011

fldsjfsdl.

Ontem fui dormir me sentindo péssima. Me lembrou um pouco daquele meu ano caótico (intensamente comentado aqui no blog), mas de um jeito novo e diferente. Antes, talvez por eu ser mais nova, tudo, até pequenas bobeirinhas eram gigantes fins do mundo. Minha primeira bad rendeu não só um, mas dois posts insanamente confusos. A primeira vez que eu achei que me apaixonei também deu em vários posts, e minha descoberta de que na verdade não teve nada a ver com amor mais ainda. Meus sentimentos de insatisfação e revolta com as pessoas em minha volta na época do high school, quando todos meus amigos foram embora. Enfim. Coisas pequenas, que, apesar de pequenas, não devem ser menosprezadas porque eram minha vida na época e me marcaram profundamente.

Mas sobre ontem. Me lembrou daquele ano porque tudo pareceu dar errado, ao mesmo tempo que certo. Nunca me arrependo de verdade de nada, apesar de fazer várias coisas erradas o tempo todo, mas ontem fiquei meio mal comigo mesma.

Tudo já começou meio mal, comigo atrasando de novo. Eu odeio me atrasar, especialmente pra ela. Nunca tinha falado eu te amo na vida por vários motivos, entre eles nunca ter realmente tido a vontade de ser perfeita pra ninguém. Eu te disse que só quero te fazer bem, que quero te dar infinitas quantidades de amor, te mostrar que você é uma pessoa diferente do resto, uma pessoa que vale a pena - o que é muito raro hoje em dia. E te fazer esperar no metrô nesse frio me deixou angustiada de modo que cada minuto que passava no relógio do meu carro me parecia uma eternidade, meu coração a mil e meu corpo inteiro tenso.

Depois no carro, quando você estava quieta e tensa e preocupada com um milhão de coisas (coisas que eu odeio, por te deixarem mal) e eu não soube o que dizer. Já disse que eu sou egocêntrica, e acho que estava tão enrolada no meu próprio drama de ter atrasado de novo, que não consegui estar lá pra você. Eu sempre entro em pânico quando isso acontece. Quando a gente se afasta, mesmo que não seja por mal, e é por isso que depois eu te pergunto um bilhão de vezes se você está bem.

Então tudo realmente começou a dar errado. Eu fiz coisas que sabia que me fariam mal, gastei demais, me meti em um lugar abafado e com energia ruim, comecei a passar mal, quase não te agarrei (apesar de você estar tão linda), fiquei estranha na frente das suas amigas DE NOVO por me sentir mal, quis ir embora mais cedo... Blargh. Não sei porque me meto nessas coisas sabendo o que vai acontecer.

Depois me irritei de ter passado mal na sua frente no caminho pro carro. É uma coisa tão boba, tipo aquelas coisas que nossas mães falam que não podemos fazer na frente da namorada. Tipo cortar a unha do pé ou fazer xixi. A Sylvia Plath (uma das minhas autoras favoritas) diz que não tem nada como vomitar na frente de alguém pra imediatamente tornar essa pessoa sua melhor amiga. Mas eu não quero isso. Sim, você é de várias maneiras minha melhor amiga, além de namorada, mas tudo isso me levou pra cama pensativa e mal e com raiva de ontem a noite.

Como você sempre diz, quero ter um relacionamento saudável. Mas pra isso precisamos ser saudáveis de mil maneiras. Nos sentimentos, no amor, fisicamente, e dentro de nós mesmas. Essas coisas bobas tipo vomitar na sua frente, cortar a unha do pé ou fazer xixi são pequenas. Concordo que nossas mães talvez sejam um tanto antiquadas nesse sentido, mas isso de vomitar foi desnecessário. Não porque é feio e nojento (apesar de ser) mas porque estamos fazendo mal pra nós. Não precisamos chegar nesse ponto de fazer tanta besteira a ponto de vomitar uma na frente da outra. Sou inocente, idealista, e até meio boba, mas acredito que podemos viver do nosso amor.

Vamos parar. Voltar. Não voltar, mas mudar. Resgatar nossos jantares e idas ao teatro. Lógico, sempre com muita bebida porque também uma vida certinha não tem a menor graça (e acho que nós duas acharíamos meio impossível haha). Eu te quero pra vida toda e acho que o que temos feito só têm empacado tudo - e você sabe muito bem que já temos complicações o suficiente nas nossas vidas. Não vamos complicar o que temos. Porque pra mim é a coisa mais real e pura do mundo - a única coisa que me faz verdadeiramente feliz.

Ainda não saí direito da cama, então talvez nada faça sentido. Mas dormi mal e acordei do mesmo jeito. Talvez esse post seja uma das minhas brisas de enquanto estou dormindo, tipo Anselino Anselmo ou sua mãe no banco de trás do seu carro. Rawr.

*

Friday, June 17, 2011

"Aritmética"

Lembrei desse livro esses dias. Fernanda Young.

"Quando entrei naquele carro, já estava amando. Amando mesmo, com amor de verdade, não apenas paixão; que, masculina cresce junto com o pau e também murcha com ele. Sentia, sim, amor de verdade, e isso era perfeito, merda, perfeito. Não era pau querendo boceta, o mais fácil dos sentimentos. Era eu querendo ela, e imediatamente, e intensamente; e para ficar com ela, trepando ou não. Para sair com ela pelos lugares mais públicos, dizendo para todo mundo: Vocês estão vendo essa mulher? Heim? Estão vendo? Ela pode enlouquecer, engordar, emburrecer. Pode me desprezar, cuspir em mim e chamar meus livros de porcaria. Ela pode a puta que o pariu, que eu vou continuar sentindo a mesma coisa por ela: amor. Para todo o sempre, estaria louco por ela e morreria por ela, mesmo sabendo que “todo o sempre” é errado dizer “por ela” é feio. Por ela, escreveria mil livros inteiramente errados e feios. Só por ela. Porque ela sempre seria inteira linda, e nem isso importava. Ela já possuía meu infinito amor, quando me sentei ao seu lado. Pois percebi que ela era minha. Minha. Louca ou não, burra ou não, linda ou não, magra ou não. Grávida de outro ou não. Eu a amava, como ainda a amo, e fodam-se todas as estatísticas que provam que isso não existe. Que amor não nasce desse jeito, que não dura. E se um amor só pode ser especial assim se for triste, que eu morra. Ou tivesse morrido. Naqueles longos minutos, no carro, indo para um hotel barato."

"E a língua portuguesa não agüenta mais a chateação dos meus versos repetidos, repetidos por ela, que tão docemente recebeu minha língua em sua boca, dando-me um gosto que um milhão de palavras não poderiam traduzir. Porque não há verbo, ou sinal, ou lirismo, que consiga expressar o estranho que foi, o desconforto que foi, saber: esse beijo é o meu beijo."

P.S.: Sei que só tenho escrito sobre o amor ultimamente, mas (ai como sou fofa) é só o que eu tenho sentido, pensado e respirado de uns tempos pra cá. De mais ou menos seis meses pra cá. Rawr <3